Anúncio de balneabilidade da Beira-Mar Norte é recebido com confiança
Nos veículos de imprensa, nas redes sociais e em reuniões de entidades empresariais e comunitárias é possível perceber como o anúncio de balneabilidade de trecho de 3,5 quilômetros da Avenida Beira-Mar Norte, em Florianópolis, foi bem recebido. A cidade aguarda há décadas por uma solução à contaminação de seu cartão-postal, fazendo com que o principal sentimento seja de esperança e confiança. O ceticismo de alguns, originado de promessas eleitorais do passado, está sendo vencido com as explicações técnicas e detalhadas dos engenheiros responsáveis pelo projeto na CASAN.
"No passado houve quem fizesse promessas vagas, sem embasamento algum e em período eleitoral", disse o diretor-presidente Valter José Gallina ao anunciar o projeto em entrevista coletiva na Prefeitura, dia 11 de outubro. "O nosso projeto está alicerçado por estudos técnicos, análises laboratoriais, concepções de projeto, tem recursos assegurados, tem edital formatado e, inclusive, previsão de data para entrar em operação. É muito diferente, portanto".
O projeto denominado URA Beira-Mar Norte foi anunciado no auditório da Prefeitura juntamente com o prefeito Gean Loureiro e acompanhado por representantes do Movimento Floripa Sustentável, da Associação Floripa Amanhã, do Sindicato dos Engenheiros no Estado de Santa Catarina, do Sindicato da Indústria da Construção, da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis, de secretários municipais e vereadores. Diretores, gerentes e engenheiros do quadro técnico da CASAN também participaram do ato.
Semelhante ao bem-sucedido processo que está ajudando a recuperar o Rio do Braz, no Norte da Ilha, a ação voltada à Baía Norte está focada no controle dos poluentes conduzidos pela rede de drenagem (a rede de águas das chuvas), tornando balneável o trecho entre a Guarnição de Buscas e Salvamento do Corpo de Bombeiros (próximo à Ponte Hercílio Luz) e a Ponta do Coral.
“Estamos investindo mais de R$ 400 milhões em esgotamento sanitário em Florianópolis, e este projeto de balneabilidade da Beira Mar será a cereja do bolo em termos de qualidade de vida na Capital”, disse Gallina, na oportunidade.
O plano de trabalho contempla a instalação de uma Unidade Complementar de Recuperação Ambiental (URA) junto à Estação Elevatória da CASAN na Avenida Beira-Mar (área conhecida como Bolsão). A URA Beira-Mar vai tratar a água contaminada da rede de drenagem e lançar ao mar efluente livre de coliformes fecais. O equipamento terá capacidade de tratar até 150 litros por segundo, o equivalente a quase 13 milhões de litros por dia.
O projeto prevê também que cada uma das saídas da rede de drenagem pluvial (tubulações de cimento) receberá um sistema próprio de captação e bombeamento. Serão, assim, cerca de 15 a 20 pequenas estações elevatórias conduzindo a mistura de chuva com esgoto até a URA Beira-Mar. Desinfetada e clarificada, a água será lançada na Baía Norte.
“Fico tranquilo com a consistência do projeto da CASAN. É um projeto que resgatará uma área importante, proporcionando uma cidade para todos e de frente para o mar”, disse o prefeito de Florianópolis.
O empresário Fernando Marcondes de Mattos, representante do Floripa Sustentável, se disse emocionado com o anúncio. “É um momento histórico: depois de 300 anos degradando esta Ilha, estamos fazendo algo para recuperá-la”, disse. “Há inclusive quem diga que esta obra é mais importante do que a recuperação da ponte – Hercílio Luz”. O empresário ressaltou os reflexos sociais do investimento - ao dar oportunidade aos moradores da área central de ir ao mar sem ter de encarar o trânsito difícil da Ilha - e os efeitos econômicos que a despoluição trará - com a aceleração da implantação de uma marina naquela região. “Vamos, enfim, transformar Florianópolis numa cidade náutica”, previu.
Falando em nome da Câmara Municipal, o vereador Tiago Silva (PMDB) disse que tornar balneável a área central da Beira-Mar Norte “é a obra mais importante e aguardada de Florianópolis nos últimos anos”. O vereador fez questão de lembrar “a importância do benefício social” da Unidade Complementar de Recuperação Ambiental (URA) Beira Mar, já que as comunidades carentes dos bairros poderão ter acesso mais fácil à praia. “Os moradores do Morro poderão usufruir desta praia”, comentou. Tiago disse, por fim, que não pode ser esquecido o valor econômico e turístico do empreendimento: “Vamos ter um outro olhar para o turismo: as marinas serão uma realidade”, finalizou.
Poluição da Baía é localizada
Apesar de a área central de Florianópolis contar com 100% de rede de coleta e tratamento de esgoto, diferentes fatores ainda causam a poluição da praia. Entre eles, a ocupação desordenada e o altíssimo adensamento urbano. Para agravar, estima-se que cerca de 50% dos imóveis da região apresentam alguma irregularidade na instalação com a rede coletora de esgoto.
“Esse conjunto de fatores faz com que os canais pluviais arrastem com a água da chuva uma alta carga de esgoto, gerando a contaminação que impede o banho de mar na zona mais populosa da Capital", explica o engenheiro Alexandre Trevisan, da Gerência de Meio Ambiente (GMA). Trevisan fez a explanação técnico no dia do anúncio na Prefeitura acompanhado dos engenheiros Jair Sartorato (SRM) e Rodrigo Maestri (GPO). "A rede de esgoto instalada resolve o problema sob o ponto de vista sanitário, mas não permite a balneabilidade", complementa Sartorato.
Análises realizadas pelo Laboratório de Efluentes da CASAN para monitoramento da Baía Norte apresentam resultados que deram suporte ao projeto de despoluição da região. Esse acompanhamento mostra que a menos de 200 metros da areia da praia a água se apresenta dentro dos parâmetros de balneabilidade da FATMA. Essa boa condição da água comprova que a poluição da Baía está localizada nas galerias de água da chuva. “Solucionado estes focos, a balneabilidade poderá ser recuperada”, complementa Trevisan.
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